domingo, 29 de agosto de 2010

Minhas questões norteadoras....

Inicialmente confesso que ainda está um pouco indefinido o título de minhas pesquisas ou de minha "tese". O que tenho certeza é de que a minha preocupação relacionada ao assunto é muito grande. Gostaria de fazer uma grande pesquisa a respeito da "evasão" dentro da sala de aula. Trata-se daquela(s) criança(s) que está(ão) com seu corpo em sala de aula, mas não está presente mentalmente, pois sua mente vaga pelos mais diversos assuntos, dentre eles: será que meu pai vai voltar? ou será que minha mão vai apanhar de novo? ou ainda: será que teremos o que comer hoje? Entre tantas outras, até mesmo aquelas bem bobinhas, como: como faço para eliminar aquele monstro do jogo, para mudar de fase? Será que a minha coleguinha vai me dar atenção hoje?
Diante dessa constante (se perguntarmos para qualquer professor na face da Terra, dirão que sim!!) que acontece todos os dias nas escolas do mundo todo, afirmo que as dificuldades de atenção eles tem e podemos até descobrir suas causas, sem muito sacrifício, mas a questão é: o que fazer a partir do momento em que a criança apresentar esse problema? Não posso ir em sua casa e dar um jeito em seus pais, não posso também, criar novos métodos de ensino em que se inclua maneiras de eliminar monstros de games. Então, por onde começar?
É essa a minha problemática. Mas ainda não sei quais serão os meus instrumentos, somente sei que farei um estudo de caso com a minha turma de quarta série.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Nona semana

NONA SEMANA
De 07 de junho a 11 de junho de 2010

Nesta semana de aula, a nossa escola estava empenhada em realizar trabalhos e preparar o dia do meio ambiente na escola, ou dia da conscientização ambiental. Para tanto, cada turma deveria realizar atividades relacionadas.
Na minha turma, todos ficaram empolgados com as atividades, mas eles não contavam com minha atividade de última hora, porque ainda não havia comunicado a eles. Estava na hora de eles fazerem pesquisas na internet, mas sozinhos, sem auxílio de pais, tios, irmãos ou vizinhos. Por isso os levei a te o laboratório de informática e fiz uma demonstração de como deveriam proceder, desde a pesquisa, até a abertura de um documento no Word, copiar, colar e depois salvar em uma pasta no computador.
Quando terminaram, imprimi todo o que encontraram e que eu também encontrei, mas nas pastas que salvaram. Na sala de aula fizeram cartazes, desenhos e até os três Rs bem explicadinhos.
No sábado, fizemos a exposição de tudo o que pesquisamos, de tudo o que trabalhamos e com o uso das tecnologias, e ficou um trabalho muito legal.
E para agradecer toda a colaboração do grupo, fizemos um teatro sobre o meio ambiente e eu fiz a cena de uma onça, em homenagem à minha turminha, que estava lá e aplaudiu de pé. Fiquei emocionada. Foi muito lindo, inesquecível.
O professor desde a muito tempo sempre carregou o estigma de uma criatura sem sentimentos, não que o fosse, nem que falassem sobre isso, mas a maneira a qual se portava diante de sua classe e de seus colegas, alienados de tudo e de todos, simplesmente determinados a fazer exatamente o de sempre, sem ao menos tentarem um novo olhar. “O professor tem que tornar a pintar ou tornar a representar o material que conhece da cultura estudantil ou do objeto a ser estudado...é um processo engenhoso, sob a forma de uma investigação crítica perturbadora.” (FREIRE, 1986)

oitava semana

OITAVA SEMANA
De 31 de maio a 04 de junho de 2010

Nesta semana precisava trabalhar com eles a escrita de textos, pois percebia que a dificuldade era muito grande, mas observei que a cada dia se tornava mais difícil de estimulálos à escrita de textos ou pequenos diálogos, tudo parecia muito difícil, mas nada é impossível.
Decidi então, realizar alguma atividade que os deixaria muito felizes, ou pelo menos fugiria da rotina de sala de aula. Então participamos de uma caminhada ao redor do Lago Tarumã, aqui em Viamão, um lugar muito bonito, perto da escola, muito conhecido, mas pouco cuidado e, devido ao descaso das autoridades locais, que resolvemos fazer essa caminhada ecológica.
Cada aluno levou sua sacolinha para depositar qualquer lixo que encontrasse ao redor do lago. No início foi meio complicado, porque eles ficavam com vergonha ou com nojo do lixo, mas depois começaram a se indignar por causa da grande quantidade de sujeira que estavam vendo e passaram a recolher tudo o que achavam pelo caminho.
O final da caminhada foi marcado por uma grande montanha de lixo, que fizemos questão de mostrar a todos na escola. Depois dessa caminhada, pedi a eles que fizessem um relato de tudo o que aconteceu naquele dia, e o que mais chamou a sua atenção naquele dia. Esse relato deveria ser entregue no outro dia.
Foi uma ideia muito boa, porque as escritas embora ainda tivessem bastantes erros ortográficos, eram mais criativas, mais honestas, menos artificiais, parecia que não havia nenhuma dificuldade em escrever, parecia que tudo acontecia com muita tranquilidade. Foi muito gratificante tanto para eles como para mim.
Por isso que a cada dia creio mais ainda que a criança precisa de motivação, porque então ela sentirá não somente vontade de realizar algo, mas tomará uma ação, porque a criança se motiva a medida em que está atuando, e não antes disso. (FREIRE, 1986)

sétima semana

SÉTIMA SEMANA
De 24 a 28 de maio de 2010

Estava um pouco apreensiva para o desenvolvimento das atividades dessa semana, pois iríamos entrar com toda força em nosso projeto do PBWorks da turma. Embora já tivesse olhado e visitado nossa página, nenhum dos alunos ainda havia feito alguma postagem. E era por isso que estava receosa, de como eles compreenderiam o funcionamento dessa ferramenta ou desse software.
Decidi por apresentar as maneiras de utilizá-lo na sala de vídeo, onde teria maiores possibilidades de demonstrar como colocar postagens, fotos, entre outras coisas. Apresentei tudo no Data Show, com internet no telão.
Antes de qualquer coisa, apresentei a eles o Word, pois precisariam aprender a editar textos, a salvá-los, a copiar e colar, coisas que não sabiam fazer e que julguei necessário ensinar. Isso foi de grande ajuda, pois após essa demonstração, quase que um tutorial, eles passaram a digitar sozinhos, facilitando o próximo passo, que seria a escrita individual no laboratório de informática.
Quando trabalhamos no laboratório, ficou mais fácil de eles se encontrarem com o material que utilizariam, bem como das atividades que deveriam executar. A atividade era criar um texto falando a respeito de si, e um pouco da experiência que haviam experimentado ao utilizar o computador de uma forma diferente da que estavam acostumados.
Ao terminarem a atividade, abri para cada grupo o PBWorks e a próxima tarefa seria a de inserir o texto em uma nova página. Eles executaram muito bem, mesmo que com um pouco de auxílio meu, mas conseguiram realizar a atividade a contento.
Confesso que esta foi a semana mais desafiadora que tive, pois mesmo tendo conhecimento das ferramentas que utilizaria, não seria nada fácil transmitir a outros esses conhecimentos, ainda mais a crianças que nunca tinham ouvido falar em PBWorks (que agora faz parte da linguagem deles) e Word, copiar, contro c, control v, etc.
A minha conclusão dessa semana lembra muito o que Paulo Freire (1978) cita a respeito do trabalhador social que precisa ampliar cada vez mais seus conhecimentos, não somente do seu ponto de vista de seus métodos e técnicas de ação, mas também dos limites objetivos com os quais se encontra nos seus quefazeres. Se não tivermos um suporte teórico, ou alguém que colabore com nossas ideias, ou até mesmo divirja, mesmo assim que haja uma interação, porque muitas vezes ainda nos depararemos com dúvidas, medos e incertezas, mas melhor do que mantê-los é modificá-los.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

SEXTA SEMANA

SEXTA SEMANA: (17 a 21/05/2010)

Essa foi a semana de retomada de fôlego, para colocarmos a casa em dia. Em primeiro lugar, terminamos a maquete que havia ficado inacabada. Depois, como estávamos iniciando as nossas avaliações, tive que fazer alguns reforços de conteúdos, e depois disso, a turma estava com dificuldades em resolver os problemas encontrados na sala de aula. Fizemos uma retomada de tudo o que já havíamos feito, e depois pensamos no que deveria ser feito na próxima semana.
Foi acordado que deveríamos fazer uma lista de coisas que estavam acontecendo de errado em nossa sala de aula, antes de podermos analisar a escola como um todo. Precisávamos criar estratégias e tentar reverter o quadro de turma desunida, sem limites, ou sem diálogo. Então sugeri a todos, após uma palestra que participei, com José Pacheco, da Escola da Ponte, o painel do “Acho mal”, mas modificado para a nossa turma, transformado em “Foi Legal” e “Não foi legal”, que deixei bem exposto na sala de aula.
O que transformou realmente essa semana foi que o plano não era exatamente como acabou por se tornar, pois precisaríamos trabalhar toda a escola, e não somente a nossa turma. Mas com bons argumentos de todos, como por exemplo: “Não adianta nada olharmos o que está errado lá fora, se aqui dentro está uma verdadeira bagunça”, ou “Precisamos primeiro consertar o que está errado aqui na sala e depois vamos olhar o que está errado no resto da escola”, e assim por diante, que resolvi inovar com este mural.
Acho que foi a melhor coisa a fazer naquele momento, porque este trabalho envolveu a todos. Cada coisa que acontecia de errado com alguém, ia pro “Não foi legal”, ou quando as coisas eram boas, iam para o “Foi legal”. No fim da semana ficamos de fazer uma reunião com ata e tudo, para verificarmos quais eram as maiores dificuldades encontradas pelo grupo e quais as ações que deveríamos tomar para tentar resolver os problemas citados.
Esse tipo de atitude reflete o que diz Piaget (1975): “A ação constitui um conhecimento autônomo”. Portanto, observo que Piaget queria dizer que o conhecimento é um tomado de consciência, que se dá a partir dos resultados da ação, através das análises dos meios empregados e dos mecanismos inconscientes da ação. Por isso que acreditei estar indo pelo caminho certo, ao promover essa nova atividade em sala de aula, e espero sinceramente que dê certo.





terça-feira, 18 de maio de 2010

Quinta semana

Nesta semana fizemos a segunda etapa de reconhecimento da escola, pois na semana anterior reconhecemos os espaços físicos, e nesta semana serão trabalhados os espaços internos, ou seja, os setores da escola.

Cada grupo ficou incumbido de escolher um setor da escola, como por exemplo: SOE, Supervisão, Biblioteca, Secretaria, Monitoria e Direção da escola. Cada grupo elaborou em sala de aula, algumas questões norteadoras para sua saída de campo. Eles precisavam conehcer o ambiente, quem trabalhava lá, o que fazia, se os alunos tinham ou não acesso a esse determinado setor, o que o mesmo ocntribuía para o bom funcionamento da escola e auxílio ao educando.

No outro dia, marcado e já avisado aos setores, os alunos foram, cada grupo ao seu destino, e fizeram a entrevista com uma condição: além de coletar dados a respeito do setor, os alunos deveriam analisar o ambiente, as acomodações, e registrar, seja com fotos ou com gravação de voz, ou até mesmo com desenho do ambiente pesquisado. Depois dessa pesquisa de campo, cada grupo deveria retornar à sala de aula e preparar esse material para poder apresentar aos colegas, a fim de que os mesmos tivesse conhecimento dos ambientes pesquisados.


Fico devendo as fotos, porque o meu blog está apresentando um problema, mas assim que o resolver farei a postagem.

Após todo o processo de visita de campo, de coleta de dados, e de montagem das apresentações, fizemos um seminário concluindo toda a atividade, com perguntas de todos e apresentações de fotos e gravações, bem como de desenhos e gráficos de cada grupo.
Todos observaram como funciona cada setor, questionando e fazendo perguntas pertinentes e necessárias para o reconhecimento de ambientes que antes não foram explorados e que estavam dentro da escola em que eles circulavam todos os dias.

Depois de toda a apresentação e das conclusões de que todos os setores são de benefício para os alunos e de que todos os setores existem para auxilair não somente aluons, mas professores e funcionários também, os alunos se rpeocuparam com questões que nenhum setor tem consguido resolver, que é a questão da violência, tanto dentro,q uanto fora da sala de aula.
Foi criada então uma comissão investigativa para a próxima semana, onde todos farão pesquisa e observaçõe para desenvolver projetos que aixiliem tanto a eles em sala de aula, quanto a todos os outros dentro dos muros da escola.


REFLETINDO...
Vivemos em várias organizações espaciais: nossa casa, nosso bairro, a cidade, a escola, entre outras. Elas fazem parte de nosso cotidiano. A ideia de organização está associada à de arrumação, engrenagem, estrutura, totalidade
Organizamos espacialmente nossa casa, nosso quarto, coisas de nosso domínio pessoal. Percebemos a organização espacial de uma sala de aula, de uma escola, de uma indústria, de uma cidade.
A ocupação ou divisão do espaço está relacionada co a própria divisão da sociedade em grupos sociais, ou características diferentes, mas interrelacionadas.

Segundo o filósofo Michel Foucault, " a organização de um espaço serial foi uma das grandes modificações técnicas de ensino elementar...Determinando os lugares individuais, tornou-se possível o controle de cada um e do trabalho simultâneo de todos."
A lógica das organizações espaciais tem suas raízes na própria estrutura da sociedade. Numa sociedade estruturada em classes, o espaço estará estruturado também segundo as classes sociais. As divisões muitas vezes são visíveis na própria "paisagem": edifícios de apartamentos sofisticados, favelas, conjuntos habitacionais, e assim por diante.
Ao observar a organização espacial da escola, a criança pode perceber que à divisão do espaço corresponde um adivisão social do trabalho. Existe um espaço determinado para a direção, os professores, os serviços de cozinha, limpeza e assim por diante. Ao mesmo tempo, fazendo uma análise destes locais os alunos começam a perceber que existe uma relação entre a construção física, sua disposição espacial e sua finalidade.

Portanto, o aluno localiza dependências da escola, identifica suas utilidades, debate sobre elas, descobre a lógica da organização do espaço escolar. É assim que ele se prepara para analisar outros espaços, que também estão organizados segundo regras bem determinadas.




REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:


Antunes, Aracy R., Heloísa F. Menandro, Tomoko I. Paganelli. Estudos Sociais, teoria e prática - Access - 1993 pp. 61-67

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Quarta semana

Na segunda-feira, por ser dia de Geografia, comecei a trabalhar com os alunos a maquete da escola. Como eles precisariam compreender bem o que deveria ser feito, resolvi colocar a maquete primeiro em forma de desenho. Por isso utilizei de forma simples o quadro e giz, fazendo o desenho vista aérea da escola com a ajuda de todos.
Essa parte foi essencial para que houvesse uma organização e um bom planejamento de ação. Cada um sabia exatamente o que iria fazer, e isso eles deixaram bem claro por determinarem as tarefas e começarem com bastante autonomia o processo de confecção dos espaços físicos da escola. Essa tarefa envolveu todos os alunos por uma manhã inteira. E essa maquete não foi feita em grupos, ou seja, cada grupo faria uma. Não, na verdade o grande grupo faria somente uma maquete, mas todos deveriam contribuir com suas ideias e também mão de obra.




















A estrutura de quase toda a maquete estava pronta, faltava somente a quadra esportiva e a pracinha, que demoraram mais para ficarem prontas. As árvores também ficaram por último.

A grande e única dificuldade que observei durante o processo, foi de que eles tinham uma dificuldade de executar a maquete, porque confundiam o tamanho de prédios e de itens que compunham o cenário, daí a demora de conclusão da maquete. Mas com a ajuda de raciocínio lógico e observações da planta alta no quadro, aos poucos foram percebendo que não poderiam fazer certas coisas maiores do que outras. O resultado foi muito bom.

No outro dia, fizemos então, o seminário a respeito das questões que as crianças escolheram para perguntar aos familiares. O que me deixou muito curiosa foi o fato de quase todos falarem a respeito do mesmo assunto, quando foram formular seus questionário. A pergunta que circulou entre quase todos era se os pais gostariam de fazer parte de outra família, ou se eles se arrependeram de terem tido filhos.
Claro que não perdi tempo e com muita sutileza comecei a indagar o porquê de sua curiosidade em saber isso, aliada às respostas dos pais. A maioria disse que os pais não se arrependeram de nada, mas sempre tendo alguns poréns, como por exemplo, alguns pais disseram que não se arrependiam de nada, mas se fosse voltar no tempo, não teriam filhos. Coisas assim. Depois de termos falado a respeito das perguntas e das respostas, solicitei que falassem a respeito da experiência de terem elaborado perguntas para fazerem a pessoas que geralmente conversam com bastante intimidade, e os motivos de terem escolhido tais perguntas. As respostas foram as mais variadas, desde aquelas que diziam que já sabiam a resposta, até àquelas que não esperavam aquela resposta, embora tenham entendido e aceitado "numa boa". Senti, ao finalizar as conversas, que alguns tinham grandes ressentimentos, muitas frustrações e ainda muitas dúvidas sobre sua família, ou se a sua era realmente uma família. Então fiz a proposta de vermos o filme " A família do futuro", que retrata um pouco de futurismo, mas recheado de situações que acontecem em todas as famílias.

A proposta no dia seguinte, foi a de que imaginassem como seria a família ideal e colocassem esta família no papel, tanto com imagens quanto com palavras. Todos resolveram primeiro fazer desenhos, ficaram um bom tempo desenhando. Coloquei uma música básica de fundo para que refletissem, relaxassem mais. Depois, cada um escreveria o que quisesse, uma frase, ou um texto ou até mesmo um acróstico da família. Ficou muito bom, prometi que faria uma exposição das gravuras na próxima semana.


A importância da família para a formação de cidadãos conscientes.

A família deve ser a principal responsável pela formação da consciência cidadã do jovem e também apoio importante no processo de adaptação das crianças para a vida em sociedade. Uma boa educação dentro de casa garante uma base mais sólida e segura no contato com as adversidades culturais e sociais, características do período de amadurecimento. A ausência familiar gera graves consequências na formação, alimentando valores egocêntricos, que levam os mais jovens ao mundo do vício e das futilidades.

No entanto, desde o início do processo de industrialização, a sociedade passa por transformações que resultam em uma postura cada vez mais individualista por parte da maioria da população jovem. O ingresso da mulher no mercado de trabalho diminuiu o tempo disponível para a dedicação aos filhos daquela que, antes, só se dedicava quase que exclusivamente à formação das crianças.
O educador Antônio Carlos Gomes da Costa, um dos idealizadores do Estatuto da Criança e do Adolescente, declara que a partir do momento em que as crianças ficam soltas na comunidade e entregues às diversões eletrônicas, há uma perda de referência em relação aos valores considerados importantes para o desenvolvimento de uma base sólida. Porém, segundo ele, não basta apenas estar presente, é preciso saber educar de forma correta. “O problema, a meu ver, não é o tempo que os pais passam com os filhos. O desafio está na qualidade dessa convivência, que deve ser marcada por um forte componente de presença educativa”, diz Costa.
O educador ainda afirma que, no Brasil, a ausência dos pais na formação dos filhos é algo recorrente. “Existem muitos educadores familiares que não são pais biológicos das crianças sob sua responsabilidade”, revela.
O pouco contato com os pais durante o dia-a-dia faz com que a responsabilidade do ensino básico da criança fique delegada à escola. Se, antes, a escola desempenhava a ação de educadora profissional, hoje, muitas vezes, desenvolve tambémo papel de primeira formadora da consciência cidadã dos jovens.
Quando a família não dispõe de tempo ou condições para dar a base afetiva e educadora à criança, além de iniciar a vida escolar de forma bastante fragilizada, ela pode desenvolver carências que vão além do âmbito escolar. A psicopedagoga Clélia Estil, diretora da Associação Nacional de Dislexia (AND), afirma que a falta de base familiar traz diversos efeitos negativos para a formação dos filhos. “Crianças sem base afetiva estável carregam consigo medos e incertezas sobre suas possibilidades de aprender, que se manifestam como vínculos negativos com a aprendizagem”.
A escola é considerada a extensão da família e, trabalhando juntas, as duas instituições desempenham o papel de educadores. Muitas vezes, não é simplesmente a educação apenas que leva a criança a ter solidez e confiança naquilo que faz. Amor e atenção também são importantes. A especialista em psicopedagogia Sônia Küster considera a escola um espaço onde a criança pode ampliar suas relações sociais e diz que as atividades que envolvem a participação dos pais lá desenvolvidas geralmente têm boa repercussão no contexto educacional.
A omissão familiar faz parte da realidade mundial e, de acordo com Sônia, essa carência pode ser suprida com um bom clima relacional que depende muito mais da qualidade das relações do que do tempo que os pais e os filhos passam juntos. “Podemos nos fazer presentes por meio de telefonemas no meio da tarde, de bilhetes deixados em lugares estratégicos e de tarefas colaborativas para a dinâmica familiar”.

Ao realizar minhas pesquisas a respeito de família, encontrei essa reportagem no site
www.metodista.br , Espaço Cidadania - Universidade Metodista de São Paulo -, e não tive como retirar algumas partes dela, pois tudo o que gostaria de relatar e concluir estava ali escrito. Essa é a minha opinião e concordo com tudo o que foi citado acima. Ainda mais, contemplo todos os dias essas sitações, onde cada criança traz consigo sua bagagem por muitas vezes pesada demais, como uma aluna minha, que sua mãe a largou de mão beijada para sua tia, sem querer recebê-la de volta, e que hoje, aos 11 anos de idade, sofre de dores abdominais horríveis (dentro de sua imaginação), explicitando da maneira mais simples sua necessidade de atenção e carinho, coisas que não são supridas bens materiais, ou com uma morada, mas que são extremamente necessárias a todas as crianças.

Percebi que meus alunos, embora sintam-se por vezes solitários, sentem-se como parte de uma instituição, que é a família, pois em todas as suas falas, eles demonstraram isso. E isso me deixou muito feliz, mais feliz ainda quando recebi o seguinte comentário: "Pro, eu consegui falara com meu pai, que está sempre ocupadíssimo. Mas quando ele viu que o assunto era muito sério, prontamente largou tudo o que estava fazendo e me auxiliou, respondendo ao questionário. Fez ainda mais, conversou comigo a respeito das perguntas, perguntando qual era a minha opinião sobre o assunto. Fiquei super feliz."
Era isso que eu queria. E consegui