quarta-feira, 21 de outubro de 2009
EJA sempre...
Desde que iniciei minha carreira como professora, sempre tive em mente que meu futuro como profissional somente seria pleno se desse aula algum dia para a EJA, mas jamais pensei como seria essa aula, como seria educar ou alfabetizar pessoas adultas.
Eu sou alfabetizadora, mas de crianças com seis anos de idade. Depois das leituras e de muita conversa com colegas que trabalham nesta área, percebi (não que já não soubesse), que trabalhar com adultos seria completamente diferente.
Comecei a investigar mais a respeito, fiz muita leitura, e a cada leitura me sentia mais motivada a ser professora alfabetizadora de jovens e adultos.
Na aula presencial de ontem (terça-feira), quando vimos o filme, percebi que o que as professoras fazem com os adultos é nada mais nada menso do que eu faço com os meus pequenos, claro que na linguagem deles.
Mas quando referimos a questão do erro, como diz Paulo Freire, "é preciso aprender com o erro", essa fala é uma constante em minha vida, e como é fascinante observar a criança aprendendo e errando, destruindo e reconstruindo hipóteses. Como ele disse ao relatar um fato que aconteceu com ele, a alegria estampada nos olhos de quem descobre a escrita, é incomensurável.
Vou procurar alguns relatos de alunos e postarei mais adiante...minhas análises continuarão.
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Comunicar-se é preciso.
Mas isso não foi o suficiente para desanimar ou abater todos aqueles que queriam ser mais, que queria ir além, que queriam fazer parte desse sistema, que queriam ser iguiais aos outros, mesmo que não houvesse nenhuma condição, eles se propunham a fazer a diferença.
Fazendo pesquisas na internet, realizei muitas leituras, descobri que existe até mesmo uma espécie de Orkut para surdos, mas que muitas pessoas ouvintes pedem para participar e conhecer um pouco mais sobre a cultura de pessoas que venceram muitas barreiras, inclusive e principalmente a da comunicação. Fiquei impressionada com uma fala que calou fundo em mim, porque resumiu todos os meus sentimentos relacionados a esse assunto. Diz:
"Somos notavelmente ignorantes a respeito da surdez, muito mais ignorantes do que um homem instruído teria sido em 1886 ou 1786. Ignorantes e indiferentes(...). Eu nada sabia a respeito da situação dos surdos, nem imaginava que ela pudesse lançar luz sobre tantos domínios, sobretudo o domínio da língua. Fiquei pasmo com o que aprendi sobre a história das pessoas surdas e os extraordinários desafios (lingüísticos) que elas enfrentam, e pasmo também ao tomar conhecimento de uma língua completamente visual, a língua de sinais, diferente em modo de minha própria língua, a falada. (...)"
Oliver Sacks
De fato, sentia-me muito mal por não conseguir me comunicar com pessoas que não podiam me ouvir. Mais mal ainda, por saber que eles conseguem expressar o que sentem, mas EU que não conseguia entender. Que crueldade. Então me sentia impotente, sem saber o que fazer.
Foi por isso que cresceu em mim uma vontade muito grande de aprender a falar a compreender o que outros falam em linguagem de sinais. Para tanto, passei a me relacionar mais com pessoas que, mesmo ouvintes, sabiam falar em libras.
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Planejar...
Mesmo sabendo disso, sempre fui muito correta em minhas idéias, planejando tudo o que realizaria ou tudo o que gostaria de realizar, mas errava em não registrar esses planejamentos, dificultando a execução dos mesmos. Na disciplina de Didática, desde o início já vem falando a respeito de planejamento, de que precisamos relatar o que faremos, de termos um diário, não para o seguirmos regiamente, mas para que ele seja o nosso norte, para que não nos percamos na poeira da estrada. Fiquei muito feliz em saber que finalmente alguém me auxiliaria a criar ou montar esse tal diário, que jamais consegui. Depois de centenas de tentativas de construção, desisti. Mas agora estou criando um novo fôlego, com ótimas perspectivas para que, de agora em diante, possa finalmente utilizar uma ferramenta muito útil, necessária e prática para que meu dia-a-dia possa ser mais proveitoso e mais prazeroso.
domingo, 6 de setembro de 2009
O MENININHO
Eu sou uma professora exploradora, pois vivo explorando meus alunos, seja no momento da criação ou até mesmo na finalização de algum projeto. Então procuro trazer à tona nas crianças seus potenciais, suas criações e invenções, e percebo que muito dos meus alunos já vem de casa com as viseiras nos olhos, feito cavalos, colocadas por seus próprios familiares, que geralmente são seus primeiros instrutores e seus exemplos de vida. Isso só tende a aumentar, pois os pais hoje se veem sem tempo, ou sem paciência para atender ao filho, então dão o bolo pronto, sem relatar a receita, e sem perceber, podam todo e qualquer momento de autonomia de seu filho, sem nenhuma sensibilidade.
Por isso que meus sentimentos se misturaram no momento da leitura e da reflexão.
Nem sempre é o professor que causa esse recolhimento na criança, nem sempre é o professor o causador da dificuldade em expor os sentimentos e sensações do aluno. Nesse caso, somos nós os "professores da segunda escola", os resgatadores dos sonhos perdidos de milhares de crianças órfãs de criatividade.
Como dizia Piaget:
"O principal objetivo da educação é criar pessoas capazes de fazer coisas novas e não simplesmente repetir o que as outras gerações fizeram."
http://www.ronaud.com/frases-pensamentos-citacoes-de/jean-piaget
segunda-feira, 25 de maio de 2009
Entrevistas
Ser negro não deve ser fácil, pois leva uma carga extra. Além de ter que sofrer como qualquer outro mortal, leva consigo o pesado fardo da discriminação. Sua cor pode fazer mal a diferentes tipos de pessoas, mas o caso mais grave ocorre quando faz mal a ele mesmo...
É muito triste constatar que, após anos ainda existe preconceito e o que é pior, muitos dos preconceituosos são os próprios negros, que de tanto ouvir chacotas e impropérios a respeito de si, passaram a acreditar que eram realmente aberrações, ou que não eram capazes como os outros mortais de realizar qualquer que fosse a ação.
O mais impressionante é o fato de saber que é na infância e dentro dee casa que tudo começa. Tudo o que é falado, citado, comentado ou relatado dentro de casa, toda e qualquer situação que ocorre e que tem como consequência atitudes racistas, vai ao encontrto daquela criança que nada sabe e que está recém construindo sua identidade.
Quem são os negros...onde eles estão...o que podem fazer...que profissão seguir...perguntas como essas surgem todo o tempo. Respostas a elas é que não aparecem constantemente.
O racista às vezes é o próprio negro, que permite que sua cor seja denegrida, que sua raça seja ridicularizada, que suas raízes sejam esquecidas. Que o seu poder seja minimizado. Quisera muitas pessoas terem qualidades como a de muitos negros que conheço por aí. Muitos deles fizeram história, muitos foram personagens importantes em fatos que marcaram nações inteiras, muitos por muitas vezes salvaram muitas pessoas.
Temos que ter um novo olhar a respeito desse assunto.
Falar do negro e não olhar quem ele realmente é já se faz um ato de discriminação.
O negro sente...
O negro vê...
O negro é...
E nós:
sentimos?
vemos?
somos?...........
segunda-feira, 18 de maio de 2009
Meu estudo de caso.
caso.
Na realidade, ele já meu caso desde o ano passado, mesmo não tendo sido meu aluno, pois eu já conversava muito com ele e já o amava. Ele é uma criança muito cativante, apaixonante. Muito carinhoso e risonho, Thales consquistou não somente meu coração, mas o coração de todas as profes da escola. Ele tem somente oito anos de idade e está no segundo ano. Ele ainda não sabe nem ler nem escrever ainda. Era do primeiro ano, mas não reprovou (porque no primeiro ano não reprova), então está no segundo ano, mas com perspectivas de retornar para o primeiro novamente.
Mais adiante falarei um pouco ded como é sua vida na escola e em casa.
Ah!!!
Olhem só como ele era com cinco anos...

segunda-feira, 4 de maio de 2009
COMO SE CONSTRÓI O CONHECIMENTO.

Uma fala constante de Piaget chamou muito minha atenção, ele diz:
"Aprenda a olhar a criança."
Foi dessa forma que ele desenvolveu suas teorias e mostrou na prática que existe aprendizagens nos erros das crianças:
" Nós somos dotados de razão, mas a razão é só uma potencialidade que precisa ser desenvolvida no decorrer da vida."
Qual de nós teríamos esse raciocínio, se não observássemos com um intenso olhar nossos alunos? Como saber se há aprendizagens se, se há retenção de conhecimento, se não sabemos olhar nosso aluno? Como termos certeza de que ele conseguiu ou não descobrir seus conhecimentos?
Mais uma fala de Piaget:
"O que mais me fascina é observar os erros que as crianças cometem ao procurar uma solução para os problemas. Há uma lógica no erro."
Muitas vezes descobrimos o quanto a criança aprendeu, somente observando seus erros e suas dificuldades. Se não analisarmos isso a fundo, jamais saberemos quais são as reais dificuldades que acometem uma criança, ou o que a bloqueia para aprender.
"Fazer é compreender, é compreender em ação". As maneiras e métodos que a criança utiliza no processo de conhecimento são diferentes das do adulto. Na maioria das vezes, esse processo torna-se fragilizado, pois a criança se desestrutura, há regressões.

"A ação constitui um conhecimento autônomo". Para Piaget, o conehcimento é uma tomada de cosnciência, que se dá a partir dos resultados da ação através das análises dos meios empregados, e dos mecanismos inconscientes da ação.
Concordo com ele também quando diz que o desenho é a primeira escrita da criança. Eu vou além, acredito que o desenho passa a vida toda inserido na pessoa, e ela faz dele seu subterfúgio, ou seu meio de comunicação não oficial, mas que quer sempre dizer algo profundo, de seu meio, sua realidade...somente precisamor OLHAR.
Olhar fascinante 